Sebastião Tapajós, que lança CD nesta sexta, analisa cultura da região

Sebastião Tapajós, que lança CD nesta sexta, analisa cultura da região
Selecionado pelo Edital Regional Pará em 2012, o músico santareno
Sebastião Tapajós, lançará um disco nesta sexta-feira, 17, em Santarém e
realizará três shows de lançamento com o patrocínio da Natura, por meio
do programa “Natura Musical”. Além de Santarém, Sebastião Tapajós fará
apresentações em Belém do Pará e no Rio de Janeiro. Nascido em Santarém,
Pará, em 16 de abril de 1944, Sebastião Tapajós começou ainda criança a
estudar violão. Em 1964, foi estudar na Europa. Formou-se pelo
Conservatório Nacional de Música de Lisboa, em Portugal. Na Espanha,
estudou guitarra com Emilio Pujol e cursou o Instituto de Cultura
Hispânica. Realizou recitais nesses dois países. Regressando ao Brasil,
recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de
Belém, onde lecionou até julho de 1967. Ao longo de sua carreira, o
artista já tocou com nomes conhecidos da MPB como Hermeto Pascoal, Jane
Duboc, Zimbo Trio, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Maurício Einhorn
e Joel do Bandolim e, internacionais como Gerry Mulligan, Astor
Piazzolla, Oscar Peterson e Paquito D’Rivera. Em 1998 compôs a trilha
sonora do longa-metragem paraense “Lendas Amazônicas”. Tapajós é hoje um
músico consagrado na Europa, onde se apresentou várias vezes durante as
últimas décadas, particularmente na Alemanha e já lançou mais de
cinqüenta discos. Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, Sebastião
Tapajós declarou que a cultura de Santarém e do Pará sempre precisa de
mais incentivo por parte da administração pública. Acompanhe a
entrevista:
Jornal O Impacto: O projeto da Natura em relação à cultura veio em boa hora?
Sebastião Tapajós: Acho que os patrocínios são sempre muito bem vindos. A
arte precisa de patrocinadores e das pessoas que gostam de investir,
porque isso incentiva a cultura. Temos os mecenas que gostam da cultura e
patrocinam. A Natura veio em boa hora e, é um projeto que vamos
apresentar aqui em Santarém, nesta sexta-feira, 17; no dia 23, em Belém,
no Teatro da Paz e; no dia 25, no Rio de Janeiro. Já estamos com o
disco pronto, gravamos e caiu em boa hora. Foi um momento propicio para
se fazer música.
Jornal O Impacto: Hoje, no Pará a cultura está sendo bem acompanhada pelos governantes ou isso ainda deixa muito a desejar?
Sebastião Tapajós: Olha, eu não poderia falar mal, porque seria como
cuspir no prato que a gente come. Acho que a cultura sempre precisa de
mais incentivo, mas eu não sei o porquê pelos caminhos que a gente vai e
não posso falar mal de um governo que começou agora. O Prefeito está
começando e acredito que o Alexandre Von tenha grande sensibilidade para
entender. Vamos esperar que a cultura tenha incentivo. Mas, devem
existir os projetos e não esperar só pelo governo, porque na vida a
gente tem que correr atrás das coisas e não só ficar esperando. Certo!
Jornal o Impacto: Por também ser músico, o atual Secretário de Cultura de Santarém tende a desenvolver um bom trabalho?
Sebastião Tapajós: Acredito que sim. Acredito muito no Nato e acho uma
pessoa simples e, que tem desejo de fazer alguma coisa. Vamos esperar,
porque tem muito pouco tempo. Não posso falar mal nem bem, até porque
não sei como está sendo desenvolvidas as ações, por estar viajando
bastante e chegamos semana passada de São Paulo. Estou ensaiando com
mais dois músicos que quero que participem do Terruá Pará, que são: Um
contrabaixista e um pianista. É uma das poucas formas que temos para
tentar mostrar o que temos aqui.
Jornal O Impacto: O governador Simão Jatene em pleno período de campanha
garantiu que iria dar um grande apoio à cultura paraense. Isso de fato
está acontecendo?
Sebastião Tapajós: Temos o presidente da Fundação Cultural do Pará
Tancredo Neves, que é o Nilson Chaves, que é um cara do bem. Acho que
ainda não deu tempo de ampliar esse leque da cultura. Acredito que vamos
ter bons frutos. Acredito no Simão porque é uma pessoa inteligente. Eu
sempre falo pros meus amigos o seguinte: Olha, você quer receber apoio a
gente te dar, mas se você fizer alguma besteira a gente quer ter o
direito de chegar na mídia e falar mal, porque ir só falar bem não vale!
Jornal O Impacto: Hoje, em Santarém o que falta para que possam surgir
novos talentos musicais? Seria mais investimento na cultura?
Sebastião Tapajós: Acho que atualmente temos bons talentos em Santarém.
Mas, eles devem receber apoio, porque eu já sou coroa e estão me
homenageando, mas devem existir novos talentos.
Jornal o Impacto: O novo CD patrocinado pela Natura será somente de músicas inéditas?
Sebastião Tapajós: É tudo novo. O disco que fizemos são 12 músicas
inéditas. Tem Samba, Guitarrada e de tudo tem um pouco, como música
lenta, romântica, Bossa Nova. A minha vida foi dividida assim, entre
Santarém e o Rio de Janeiro. Passei muito tempo viajando pelo mundo, mas
a minha vida foi no Rio de Janeiro ou Santarém. Então, o CD é como se
fosse uma lembrança que eu vivi em Santarém, no Estado do Pará e em todo
o Brasil.
Jornal o impacto: No momento existem algumas bandas, cantores e cantoras
do Pará que esbanjam talento no Brasil e no mundo. Mas, se tratando de
Santarém também já temos grandes nomes na música regional, nacional e
internacional?
Sebastião Tapajós: Temos talentos maravilhosos e acho que os caminhos
são por aí. O que eu pude fazer pela música não somente no Pará, mas no
Brasil a gente fez. Graças a Deus fomos muito bem recebidos com prêmios
na Alemanha e em vários países do mundo. Acho que já estive mais de 90
vezes na Alemanha.
Jornal O Impacto: A música eletrônica está tomando conta de grande parte
do público brasileiro. Em função disso, ainda é comum jovens procurarem
escolas para aprender a tocar instrumentos de corda, como o violão?
Sebastião Tapajós: É um negócio que é eterno e não vai deixar de existir
nunca o som do violão. É um negócio que circula pelo mundo inteiro.
Assim como tem a música eletrônica, tem gente que não aceita você nem
plugar o violão em certos países. Hoje, existe público pra música
eletrônica, assim como também tem pra música acústica. É uma coisa que a
gente não tem nem que questionar porque tudo tem o seu valor, mas o que
vai ficar o tempo dirá! O que vai ficar de bom é o tempo que vai
mostrar.
Jornal O impacto: Como um dos maiores representantes da música paraense
de todos os tempos, o que o senhor espera em termos de incentivo
cultural tanto do governo municipal quanto do estadual?
Sebastião Tapajós: Espero que a administração pública possa dar apoio a
esses jovens que estão começando os primeiros trabalhos. Acredito que
deva ter sensibilidade por parte do governo para dar apoio à cultura.
Eles não devem ser paternais, mas o músico, o artista, o cara que
representa precisa de espaço e não de esmola, porque quem tem talento
leva o público aos shows e as pessoas terminam respeitando e
reverenciando.
Jornal O Impacto: O que o público pode esperar do novo CD do músico Sebastião Tapajós?
Sebastião Tapajós: Em relação ao novo CD o público terá uma bela surpresa. As músicas estão bem populares e acessíveis.
Fonte: RG 15/O Impacto