Desde que chegou em 2006 à região Amazônica, o
navio Abaré da ONG Holandesa Terre Des Homes (TDH) realiza, em média, 30 mil
atendimentos em saúde das comunidades ribeirinhas do Tapajós e Arapiuns, mas o
trabalho dos missionários pode estar com os dias contados. Por falta de
entendimento com a prefeitura de Belém, o navio hospital pode deixar de
atender as comunidades e só continua operando na região por força de uma
liminar.
Para garantir a permanência no Oeste do Estado do
navio hospital Abaré, que atua na região com um modelo de atenção à saúde
básica adaptado ao contexto amazônico, o Deputado Nélio Aguiar (PMN), deu
entrada nesta terça-feira, 15 na Assembleia Legislativa do Estado
do Pará a uma moção para que seja solicitado ao governador Simão Jatene
que ele intervenha junto a ONG para manter o navio operando na região. “É
reconhecida internacionalmente a importância do trabalho da ONG na região e tal
solicitação ao Governo do Estado se faz urgente e indispensável, em face da
comunicação oficial que já foi encaminhada a Secretaria Municipal de Saúde de
Santarém, informando que o barco vai deixar de atender os ribeirinhos do
Tapajós, embora não haja nenhum comunicado dos holandeses nesse sentido”,
detalhou o parlamentar.
O Abaré funciona de forma itinerante na região nos
moldes no Programa Saúde da Família (PSF), atendendo crianças e adultos com
ações de saúde oral, imunizações, pré-natal, preventivos de câncer de colo de
útero, planejamento familiar, atendimentos médicos, ambulâncias, exames de
rotina e pequenas cirurgias, somando-se ainda equipe de educadores para a
realização de dinâmicas educativas de mobilização e prevenção com ações
integradas e complementares às assistenciais.
Somente em 2011 a Unidade fluvial Abaré realizou 8
rodadas de atendimento, abrangendo as duas margens do rio Tapajós, tendo
executado 4.749 consultas médicas, 4.451 exames laboratoriais, 4.439
procedimentos odontológicos e 19.963 de enfermagem, entre outras ações. “O
trabalho da Ong não deve substituir o Sistema Único de Saúde (SUS), mas é
complementar ao sistema de saúde. Por conta da excelente atuação o trabalho dos
profissionais do Abaré tornou-se objeto de estudo do Ministério da Saúde (MS)
tanto que em 2010, o navio hospital foi qualificado como a primeira unidade de
saúde fluvial do Brasil integrada ao SUS”, disse.
Jornalista
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