sexta-feira, 11 de maio de 2012

Paredes de concreto - Deu no Impacto


Há duas semanas o Bocão anunciou que havia tomado conhecimento de que a empresa responsável pela construção das casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” não iria comprar tijolos para construir as moradias. Esta semana, veio a confirmação. A firma não pretende usar os tijolos produzidos em Santarém, descumprindo logo de cara com o compromisso que assumiu com o Município, tendo recebido incentivo fiscal de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais) em forma de isenção de ISS, para fomentar a economia local. Tudo é grandioso quando se trata da construção dessas unidades habitacionais. Para se ter uma idéia, serão gastos em 3.081 unidades algo perto de R$ 130.000.000 (cento e trinta milhões de reais). Os 12 milhões de tijolos que seriam utilizados representam 30% a mais daquilo que o setor ceramista já produz. Segundo uma fonte do setor, isso não representaria empecilho algum, pois bastaria aumentar a demanda, que a produção seria aumentada na mesma proporção. Depois dos investimentos deixados pelo governo militar, este é o maior projeto da história recente de Santarém, daí a preferência da empresa em construir as paredes de concreto, com todas as desvantagens que podem advir. O calor tropical da região é aumentado com as paredes desse tipo de construção, não há possibilidade de se colocar armadores de rede, de construir banheiros complementares, muito menos fazer ampliação nesse modelo de construção. Se só há desvantagens, a pergunta é inevitável: a quem interessa ir contra argumentos irrefutáveis?