Há duas semanas o Bocão anunciou que
havia tomado conhecimento de que a empresa responsável pela construção
das casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” não iria comprar tijolos
para construir as moradias. Esta semana, veio a confirmação. A firma não
pretende usar os tijolos produzidos em Santarém, descumprindo logo de cara
com o compromisso que assumiu com o Município, tendo recebido incentivo
fiscal de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais) em forma de isenção
de ISS, para fomentar a economia local. Tudo é grandioso quando se trata
da construção dessas unidades habitacionais. Para se ter uma idéia,
serão gastos em 3.081 unidades algo perto de R$ 130.000.000 (cento e
trinta milhões de reais). Os 12 milhões de tijolos que seriam utilizados
representam 30% a mais daquilo que o setor ceramista já produz. Segundo
uma fonte do setor, isso não representaria empecilho algum, pois
bastaria aumentar a demanda, que a produção seria aumentada na mesma
proporção. Depois dos investimentos deixados pelo governo militar, este é
o maior projeto da história recente de Santarém, daí a preferência da
empresa em construir as paredes de concreto, com todas as desvantagens
que podem advir. O calor tropical da região é aumentado com as paredes
desse tipo de construção, não há possibilidade de se colocar armadores
de rede, de construir banheiros complementares, muito menos fazer
ampliação nesse modelo de construção. Se só há desvantagens, a pergunta é
inevitável: a quem interessa ir contra argumentos irrefutáveis?