sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Não importa quem esteja no poder, governos só querem arrecadar

 

Por Admilton Almeida – Contabilista – Tributarista/FGV – Consultor Tributário/IBCO e Jornalista*

Enquanto o Brasil se afoga em um mar de polarização que transborda das telas do celular para as mesas de jantar, uma parte do empresariado parece ter esquecido uma regra de ouro dos negócios: o cliente não tem ideologia, o funcionário não veste a camisa de um partido e, principalmente, o boleto não escolhe governo.

Mergulhados em uma trincheira digital, defendendo com unhas e dentes os de direita ou os de esquerda, muitos líderes empresariais transformam seus empreendimentos em palanques, com um custo alto e, muitas vezes, irreversível.

A verdade inconveniente é que, ao se posicionar publicamente de forma radical, o empresário não está apenas expressando uma opinião; está traçando uma linha no seu mercado.

O que esse jogo corporativo produz na prática? Divisão. O empresário, que por natureza deveria buscar a união de forças para gerar riqueza, acaba por dinamitar a própria base de clientes. Ele se dá ao luxo de escolher para quem vender, esquecendo-se que, no fim do mês, as contas não perguntam se o pagamento veio de um cliente de direita ou de esquerda.

E a verdade nua e crua, é que não importa quem esteja no Poder, Governos só querem arrecadar.

Esse comportamento não contamina apenas a relação com o consumidor. O ambiente interno das empresas torna-se um campo minado. A polarização política pode levar a conflitos e desconforto entre as equipes, prejudicando a produtividade e a colaboração.

A contratação e a retenção de talentos também são afetadas. Um profissional qualificado pode hesitar em se juntar ou permanecer em uma empresa cujo líder utiliza a plataforma corporativa para uma militância que o exclui ou ofende.

Enquanto empresários se digladiam em guerras de narrativas, o governo — seja ele qual for — continua focado em seu objetivo primário: arrecadar impostos para manter a máquina pública funcionando. Políticos vêm e vão, com seus discursos, promessas e controvérsias. O poder muda de mãos, mas os boletos do seu negócio continuam chegando com a pontualidade de sempre.

Você, empresário, já sobreviveu a diversos governos e planos econômicos. Sabe que, independentemente de quem esteja governando, as contas a pagar não entram em recesso.

Seu concorrente pode ter certeza, não está gastando a maior parte do seu tempo em discussões políticas. Ele está investindo em inovação, em treinamento para sua equipe, em novas tecnologias e em entender as novas demandas de um consumidor que, acima de tudo, busca qualidade e bom atendimento. E o seu cliente também não está esperando a próxima eleição para buscar um serviço melhor ou um produto mais barato.

Não se trata de alienação ou de ignorar o cenário político, que inegavelmente impacta o ambiente de negócios. É uma questão de foco e estratégia. A energia despendida em batalhas ideológicas infrutíferas poderia e deveria ser canalizada para o que realmente importa: a gestão, o crescimento e a sustentabilidade da empresa.

O verdadeiro ativismo de um empresário se manifesta na geração de empregos, no desenvolvimento de sua comunidade e no pagamento de impostos que, em tese, deveriam retornar como benefícios para toda a sociedade.

Ao fim e ao cabo, o empresário que transforma seu negócio em um panfleto político corre o risco de terminar com o panfleto na mão e o caixa no vermelho. A fatura dessa vaidade ideológica é alta, e quem a paga é a própria empresa, seus colaboradores e, em última instância, a economia que tanto precisa de líderes focados em construir pontes, e não em cavar trincheiras.

O político sem o conhecimento técnico e não comprometido com suas ações, usa o povo para se manifestar. Não se pode misturar atividade empresarial com política, o poder do político, prevalecera diante das ações dos empresários. O silêncio é importante meio, para o sucesso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário