terça-feira, 11 de novembro de 2025

A "conferência do clima... ou será Cop 30"?

A COP 30 parece um roteiro escrito às pressas por alguém que confundiu conferência climática com reality show político. Começou com os salgadinhos e refrigerantes cobrados como se viessem diretamente de Paris — embora o sabor lembrasse mais a cantina de uma escola pública em reforma.

A 1⁰ dama organizou coquetéis cafonas, como de costume, promovidos para chefes de Estado que, convenientemente, não apareceram. Talvez tenham se perdido tentando entender o cronograma. Ou, mais provável, simplesmente preferiram ficar no quarto.

Os discursos, esses sim, compareceram em peso. Longos, solenes e tão vazios que o vento passou a cobrar direitos autorais. Um político, em momento digno de antologia, arrancou o microfone das mãos de Macron — não por discordar dele, mas porque não havia tradutor. Um protesto involuntário contra a globalização, digamos assim. Afinal, quem precisa de tradutor quando se tem deselegância fluente?

Lula, fiel ao seu estilo tropical-surrealista, confundiu o Amazonas com o Pará, recitou estatísticas invisíveis e se hospedou num iate convertido em hotel — uma espécie de metáfora flutuante para o uso do dinheiro público. Janja, por sua vez, fez jus à tradição: quando há holofotes, há gafe.

E, para coroar o espetáculo, uma performance artística em homenagem à biodiversidade. Atores vestidos de animais rastejavam pelo chão sob aplausos constrangidos. Sim, os bichinhos da Parmalat envelheceram, não conseguiram emprego na Carreta Furacão, mas foram acolhidos em Belém. Entre as espécies amazônicas, uma girafa e um urso polar roubavam a cena — provavelmente perdidos, assim como a lógica do evento.

No fim, a COP 30 tem sido o retrato mais fiel possível do espírito brasileiro: uma mistura de tragédia, comédia e improviso, servida com um sorriso ensaiado e um copo de refrigerante a preço de dólar. Como já era previsível, o evento, assim como a nudez de Luzia Fel, não salvou o planeta — mas, com brilho e um humor involuntário digno de exportação, revelou ao mundo o verdadeiro perfil da nossa política: um país onde o caos é institucional, a improvisação é método e o vexame, patrimônio cultural imaterial.

Parabéns, COP 30 — até a girafa parece ter olhado em volta e pensado: “Será que estou no lugar certo?”

...Alguém, brilhantemente definiu e escreveu! Só me resta aplaudir.

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