quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

PREFEITURA LANÇA PROJETO PARA VALORIZAR ARTISTAS AMAZÔNICOS

 

Programação estreia no dia 24 de janeiro, às 19h, no Theatro Victória, com Caldo de Piranha e Cleide do Arapemã.

A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, realiza no próximo sábado, 24 de janeiro, a partir das 19h, no Theatro Municipal Victória, a primeira edição do Banzeiro Cultural, novo projeto que chega para fortalecer a cena artística local e ampliar a visibilidade de talentos independentes da Amazônia.Nesta estreia, o palco do Victória recebe duas atrações que representam a diversidade cultural do território: a banda Caldo de Piranha, com seu som vibrante e contemporâneo inspirado nas matrizes amazônicas e latino-americanas, e a cantora, compositora e liderança quilombola Cleide do Arapemã, referência de resistência e identidade cultural no Baixo Amazonas.

Inspirado no movimento rítmico e na força das águas, o Banzeiro Cultural surge como uma iniciativa pensada para apoiar e dar visibilidade a artistas da música, da dança e do canto coral, oferecendo suporte técnico, logístico e promocional, além de garantir que esses profissionais ocupem espaços culturais oficiais com estrutura adequada e público ampliado. Muitos desses artistas já são reconhecidos por sua trajetória e contribuição cultural, porém ainda enfrentam dificuldades de acesso a equipamentos institucionais de apresentação.

As apresentações ocorrerão de forma bimestral, integrando o calendário cultural da cidade a partir de um processo de chamamento público, transparente e democrático. Com isso, o poder público busca fortalecer a identidade local ao conectar a energia criativa desses artistas ao grande público, consolidando Santarém como um território de potência cultural amazônica.

Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, o lançamento do projeto marca um novo momento de fortalecimento das políticas culturais no município.

“O Banzeiro Cultural nasce com um propósito muito claro: valorizar quem faz cultura em Santarém e na Amazônia, especialmente os artistas que vêm das comunidades, dos territórios ribeirinhos e periféricos e que, muitas vezes, não conseguem acessar os equipamentos culturais oficiais. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, está criando esse espaço contínuo para garantir visibilidade, estrutura e reconhecimento a esses talentos, que são patrimônio vivo do nosso povo”, afirmou a secretária.

Ela reforça ainda que o projeto integra uma política pública de incentivo e democratização do acesso à cultura.

“É uma iniciativa que fortalece a nossa identidade cultural e amplia o acesso do público a produções artísticas locais de altíssimo valor. Santarém tem artistas incríveis, e o Banzeiro chega para ser essa ponte entre o palco e o território, entre o centro e as comunidades, com respeito e cuidado com quem mantém a cultura viva”, completou.

Caldo de Piranha

A banda é a tradução sonora de uma Amazônia viva e contemporânea. Transita pelo brega pop e pelo carimbó do Pará, mas também incorpora a cadência do bolero, o swing da cumbia, o gingado da lambada e a pulsação da toada. Nascida em 2023, vem se destacando em eventos e festivais locais ao unir ritmos amazônicos e latino-americanos em uma estética própria, marcada por força, identidade e presença de palco. Mais do que entretenimento, o grupo se posiciona como expressão cultural de território, defendendo a Amazônia e valorizando as populações tradicionais por meio da música e da arte.

Cleide do Arapemã

Cantora, compositora e liderança quilombola do Quilombo do Arapemã, em Santarém (PA), Cleide do Arapemã construiu uma trajetória marcada pelo encontro potente entre arte, identidade e luta coletiva. Reconhecida como símbolo de resistência na Amazônia, utiliza a música como instrumento de defesa da terra, do povo e da cultura quilombola, especialmente diante das pressões e ameaças que atingem territórios tradicionais. Como liderança, atua diretamente pela regularização territorial do quilombo e pela proteção do modo de vida comunitário, transformando sua voz em ferramenta de mobilização e pertencimento. Suas composições são atravessadas pelo rio, pela natureza e pela força da negritude amazônica, guiadas pela ancestralidade e inspiradas nas memórias e histórias transmitidas por sua avó. Sua trajetória de luta já foi tema de filme, e seu trabalho está disponível nas plataformas digitais, com canções marcantes como “Beira do Rio”“Amanhecer no Quilombo” e “Rio Amazonas”.

Por: Com informações da Agência Santarém

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