quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Terras caídas levam Prefeitura a decretar emergência no Quilombo do Arapemã

Ailanda Tavares
Publicado em  - 
Erosão acelerada ameaça moradias, deixa famílias em área de risco e exige medidas urgentes do poder público.

Após visitas técnicas e monitoramento da área, a Prefeitura de Santarém decretou situação de emergência no Quilombo do Arapemã, localizado na região de várzea, em razão do avanço do processo de erosão da margem fluvial.

A comunidade é composta por 100 famílias, cuja principal subsistência provém do programa Bolsa Família e da pesca artesanal. O fenômeno cada vez mais se aproxima das moradias, construídas predominantemente em madeira, o que vem aumentando significativamente a vulnerabilidade das famílias.

O coordenador municipal da Defesa Civil (COMDEC), Darlisson Maia, explicou que a erosão fluvial é um fenômeno natural associado à dinâmica dos cursos d’água, caracterizado pelo desgaste progressivo das margens e do leito do rio. Esse processo pode provocar instabilidade do solo, desmoronamentos e o fenômeno conhecido regionalmente como “terras caídas”, especialmente em áreas ribeirinhas.

“Durante a inspeção em campo, a equipe realizou levantamento métrico e a caracterização do talude marginal, confirmando que a erosão se encontra em estágio acelerado. As medições in loco demonstraram que diversas unidades habitacionais apresentam vulnerabilidade crítica, situando-se a aproximadamente 30 metros da margem do Rio Amazonas”, detalhou o coordenador.

Foi constatado ainda que a comunidade não dispõe mais de espaço para o recuo das residências, já que o território está comprimido entre o avanço do Rio Amazonas e a proximidade com o Lago do Carobal. A continuidade do fenômeno representa risco iminente de danos materiais severos e ameaça direta à integridade física e à vida dos moradores.

Diante do cenário, foi recomendado o monitoramento contínuo das fendas identificadas, além da articulação imediata entre órgãos municipais e estaduais para a gestão das áreas de risco e a adoção de medidas de proteção às famílias atingidas.

“O fenômeno de terras caídas no Quilombo do Arapemã já ocasionou danos materiais expressivos, afetando moradias, bens das famílias, infraestrutura comunitária e áreas produtivas. Trata-se de um cenário de risco elevado e contínuo, que torna inviável a permanência da população nas áreas atingidas, sendo imprescindível a adoção de providências urgentes por parte do poder público”, concluiu Darlisson Maia.

Decreto de Emergência.

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