quinta-feira, 5 de novembro de 2026

SEMAP - 7ª Feira do Pirarucu de Manejo do Pará começa nesta sexta-feira em Santarém

 Santarém recebe, nesta sexta-feira (6) e no sábado (7), a 7ª Feira do Pirarucu de Manejo do Pará, na Praça Barão de Santarém. O público poderá comprar pirarucu fresco e salgado diretamente dos manejadores, experimentar pratos da culinária regional e conhecer o trabalho das famílias ribeirinhas que há mais de 20 anos atuam na conservação da espécie.

Reconhecida como patrimônio histórico, cultural e imaterial de Santarém, a feira é uma das principais vitrines do manejo comunitário na região de várzea. Nesta edição, a previsão é comercializar cerca de duas toneladas de pirarucu fresco, capturado em lagos naturais da região do rio Amazonas. O pescado vem de seis comunidades: Pixuna do Tapará, Tapará Miri, Santa Maria do Tapará, Costa do Tapará, Tapará Grande e Igarapé da Praia.

Além de escolher entre diferentes cortes do peixe, os consumidores poderão conversar com os manejadores sobre a origem do pescado e as etapas do manejo. A programação também inclui exposição de artesanato, apresentações culturais, música, palestras, jogos educativos e lançamento de livro.

Da proteção dos lagos à feira

Na quarta-feira (4), uma equipe técnica da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap), acompanhou a pesca coletiva em um lago da comunidade Pixuna do Tapará. A captura é resultado de meses de trabalho dos moradores na vigilância dos lagos e no acompanhamento da população de pirarucus.


Segundo o chefe do Núcleo da Pesca da Semap, Jucivaldo Pereira, a comercialização organizada ajuda a remunerar o trabalho das famílias que se dedicam à proteção da espécie. Ele destaca a parceria entre as comunidades e as instituições que apoiam o manejo na várzea.

O secretário municipal de Agricultura e Pesca, Bruno Costa, ressalta que a venda direta aproxima os manejadores dos consumidores e contribui para a remuneração justa de quem pesca. “Este evento já é tradicional no calendário cultural de Santarém. É a prova de que é possível gerar renda e preservar a Amazônia ao mesmo tempo. Nossos manejadores são guardiões do rio e merecem todo o nosso reconhecimento. Convido toda a população a prestigiar”, disse.

Antônio José Bentes, da coordenação da Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), explica que os moradores conduzem o processo, da definição dos acordos de pesca à venda do pescado. O trabalho inclui a vigilância dos lagos, a contagem dos pirarucus e a captura conforme as regras do manejo. Segundo ele, os lucros obtidos na feira são reinvestidos nas próprias comunidades.

Gastronomia e saberes ribeirinhos

Uma das novidades desta edição é a venda de pratos preparados com pirarucu durante a feira. O chef Sandro Mota, do restaurante Domani, participa da programação com preparações que exploram diferentes usos do peixe na culinária.

A feira também vai apresentar uma receita de pirarucu desfiado desenvolvida por mulheres de Santa Maria do Tapará e publicada em um livro da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A apresentação destaca a contribuição das cozinheiras ribeirinhas para a culinária da região.

Realização e parcerias

A feira é realizada pelas comunidades que integram o Conselho de Pesca Regional do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Tapará, em parceria com a Sapopema, o Movimento de Pescadores do Baixo Amazonas (Mopebam), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Semap, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A iniciativa tem o apoio da Gordon and Betty Moore Foundation e da The Nature Conservancy (TNC).

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