Coreia do Norte é formada nos princípios militares
Técnico quer dedicar vitória a ditador norte-coreano (Crédito: Ari Ferreira)
Alexandre Lozetti ENVIADO ESPECIAL A JOHANNESBURGO
Não é exagero dizer que o Brasil vai enfrentar um exército em sua estreia na Copa do Mundo. Não é guerra, mas a seleção da Coreia do Norte tem como base uma equipe formada nos princípios militares. Dos 23 jogadores, sete jogam no 4.25 Sports Group, conhecido como 25 de Abril, da cidade de Nampo.
A data não faz referência à fundação do clube, tampouco a alguma conquista histórica. Trata-se de homenagem ao dia oficial do estabelecimento do exército de guerrilha contra os japoneses, em 1932. O 25 de Abril é o maior campeão norte-coreano (dez títulos), mas tem se entregado ao péssimo momento econômico e político do país. Não levanta a taça desde 2002. Mas o clube do governo segue prestigiado. Com exceção dos europeus, é aquele que mais cedeu atletas para a Copa.
Desde que a Coreia do Norte desembarcou na África do Sul, a filosofia militar é facilmente observada. Além da estratégia de batalha para garantir a privacidade nos treinos, com homens munidos de metralhadoras nos vidros dos carros, todos os horários são cumpridos com rigor.
Em campo, a aposta na disciplina é visível. O técnico Kim Jong Hun, formado no 25 de Abril, arma uma retranca “militar”. Ele é mais um súdito leal de Kim Jong Il, ditador que preside a nação, comandante supremo do Exército Popular da Coreia do Norte e chefe da Comissão Nacional de Defesa. O “grande líder”, como é chamado, é a inspiração para o Mundial:
– Nosso talento será revelado se ganharmos. E isso alegrará muito nosso grande líder. O Brasil é favorito, mas mentalmente estamos aptos a vencê-los e dedicar a Kim Jong Il – decretou.
– A mentalidade para a vitória, o poder de organização e a união nocombate são atributos mais fortes em nosso grupo do que no Brasil.
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