Sem cotas nas universidades, nova lei é aprovada no Senado
Depois de sete anos de tramitação, Estatuto da Igualdade Racial passa no Congresso e agora vai para sanção do presidente Lula. A polêmica sobre reservas de vagas a negros em empresas e na política ficou de fora do texto
POR RAPHAEL ZARKO
Brasília - Depois de sete anos em discussão, o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado ontem no Senado Federal. A polêmica foi a ausência no texto final da obrigatoriedade da reserva de vagas em universidades públicas, empresas e na participação de negros, além de outras atividades — como da participação de atores negros em comerciais e filmes veiculados na TV e nos cinemas. Agora, a última etapa para a proposta virar lei está nas mãos do presidente Lula, que precisa sancionar o Estatuto.
Autor do projeto em 2003, quando ainda era deputado, o senador Paulo Paim (PT-RS) considerou um avanço a aprovação no Senado, mas faz ressalvas. “Não é a peça dos meus sonhos. Mas foi possível aprovar com uma conjunção de forças”, disse ele, referindo-se ao acordo com o relator, o senador Demóstenes Torres, além de outros segmentos representados. Para ele, a demora de anos para aprovação da lei reflete a dificuldade de passarem projetos que combatam o preconceito no Brasil. “Só tem um senador e uma dúzia de deputados negros. É um avanço, mas é uma caminhada longa”, admite Paim.
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