quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Se a Tarifa de Energia Subiu 11% e Baixou 6%, Quem Seria Roubado?

Por: Pe. Edilberto Sena(Jornal da Manhã -Rádio Rural de Santarém)

Diziam os antigos: justiça seja feita!
E se o Ministério Público Federal não tivesse  agilizado o processo? E se a Justiça Federal  não tivesse acelerado  a anulação do roubo da tarifa de energia imposta  subitamente 11% sobre o preço anterior? Quanto lucro a distribuidora estaria faturando dos usuários escravizados ao monopólio! Enquanto para o outro Brasil o aumento foi de 6%, para o Estado fornecedor a energia dita  limpa e barata, por não queimar petróleo, subiu 11%, sem discussão.
Como justificar tal desproporção de tarifas de energia, justamente no Estado que tem a segunda maior usina hidroelétrica do país?
Ainda a Eletronorte, vem com sua propaganda de construir mais hidroelétricas na Amazônia e alardeia que é limpa e mais barata, por isso mesmo o roubo ficou mais evidente. O interesse da fornecedora é simplesmente lucro. E como no capitalismo a lei da oferta e da procura determina  os preços, e como só há uma fornecedora, toda a demanda está sob controle dela. Daí a exploração descarada de 11% de subida de tarifa no Estado do Pará.
Curiosamente nem os políticos gritaram, nem o governo do Estado reagiu, apenas os usuários choromingaram, mas não partiram para ação de resistência.  Já o Ministério Público Federal  tomou as dores da população e foi à luta, abrindo processo contra os fornecedores de energia no Pará. E só assim foram obrigados a recuar e baixaram a tarifa para 5,98 por cento sobre o preço anterior.
O que está por trás de tal jogada  dos fornecedores? Gerar lucros é claro. A justificativa para a subida escandalosa da tarifa era que há muitos usuários clandestinos, os chamados "gatos" e que a distribuidora precisava compensar o prejuízo causado pelos gatos. Ela não podia arcar com o prejuízo então quis jogar para os consumidores honestos. Essa sede de lucros explica também porque a Eletronorte planeja construir tantas usinas nos rios da Amazônia, como Belo Monte e as cinco,  na bacia do rio Tapajós. É a ganância dos planos de crescimento econômico do governo.
O usuário ficar sem muita escolha, ou se submete aos preços impostos, ou fica sem energia. Não fosse a ação rápida da justiça federal, os prejuízos seriam maiores aos consumidores. E agora, como fica a situação de quem tomou a decisão  de estabelecer tarifa absurda sem perguntar aos clientes? Irá para a cadeia? Ficará sorrindo pela brincadeira do cola? E como confiar na honestidade de outras tarifas que são impostas pelas agências  reguladoras de outros serviços? A sociedade brasileira vive hoje uma crise de ética em vários setores da vida pública.

Nenhum comentário:

Postar um comentário