LEMBRANÇA
Passou sem referências na grande Imprensa e também nos blogs.
E na Assembleia, bem, por lá a preocupação é com as denúncias do Ministério Público e com a eleição da Mesa.
Nem o seu antigo partido, o PSB, lembrou.
No último dia 6, transcorreu 24 anos do bárbaro assassinato do deputado João Batista.
Calou-se uma voz, outras se levantaram.
Só a História é que deve julgar.
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Nossos gabinetes na Alepa eram vizinhos, eram os únicos que se mantinham abertos até tarde, atendendo eleitores e movimentos sociais.
Uma noite, eu estava saindo. Na porta vizinha, João estava conversando com auxiliares, com um ar de preocupação.
Mal me viu, perguntou se eu estava indo embora.
Disse que sim.
Ele se postou do meu lado, e andamos juntos até a escadaria da Assembleia.
Percebi o seu receio em sair sozinho, havia recebido o alerta que pessoas estranhas estavam rondando a praça em frente ao prédio do Poder Legislativo. A companhia de um colega deputado poderia servir de anteparo.
Ilusão, claro, pois se sabe que estes monstros quando querem, realizam os seus bárbaros atos sem se importar com os possíveis "danos colaterais".
Mas, a partir deste dia, quando me retirava da Assembleia, parava na porta do João e avisava, "já estou indo".
E, às vezes, ele se apurava, pegava a bolsa, e aproveitava a "carona". Ele sabia o que eu estava fazendo, mas não falava nada. Eu também nunca comentei, e achava graça das pessoas que estranhavam a dupla "gordo e magro", que formávamos naquela hora.
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Na assessoria do deputado João Batista uma moça inteligente e bonita se destacava. Trabalhava incansavelmente, imersa em montanhas de papel, naqueles tempos em que não existiam ainda os modernos computadores, processadores de texto, arquivos em "pen drive", etc. Tudo era "datilografado", e as cópias era em "carbono", alguém se lembra?
Depois foi aprovada em concurso público para o MP, lançou-se na política, acabou sendo deputada e prefeita de seu município. E, por muito pouco, não foi eleita governadora do Pará.
Seu nome , Maria do Carmo Martins Lima.
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Saudações e nossos sentimentos à viúva Sandra Batista, vereadora de Belém, e aos filhos do eterno deputado João Batista.
Obs. Recebi por e-mail de um deputado da época