Autor: SemturIgarapé-Açu: um refúgio amazônico em frente à Santarém
Katrine Bentes
Turismo de base comunitária como motor de desenvolvimento e conexão com a natureza
Igarapé-Açu é um verdadeiro refúgio a cerca de dois quilômetros da área urbana de Santarém. Mais do que um atrativo, é um espaço de encontros de águas, pessoas, histórias e vida, que oferece aos visitantes uma experiência única. O turismo é o motor de desenvolvimento da comunidade e se adapta ao ritmo das águas. Na estiagem, as trilhas ganham destaque e são bastante procuradas por ciclistas e caminhantes. Já no período da cheia, o cenário se transforma em rota ideal para a canoagem, pescaria e banho.

O acesso é feito por uma rápida travessia de embarcação. O canal fica em frente à cidade e recebe as águas do encontro dos rios Amazonas e Tapajós. De lancha, o trajeto dura entre cinco e dez minutos. A fauna e a flora da várzea encantam com a presença de aves, macacos, botos e vegetação aquática, compondo a paisagem e reforçando a singularidade do território.
A culinária é uma experiência à parte. O Igarapé-Açu conta com três restaurantes de palafitas que valorizam os saberes tradicionais e oferecem pratos típicos da região, conectando o visitante ao modo de vida ribeirinho: Restaurante da Tica, Jacaré e Pôr do Sol.

Dona Raimunda Idenilza Pinto dos Santos, conhecida carinhosamente como Tica, é moradora da comunidade há 65 anos. Mais do que cozinhar, ela faz questão de receber pessoalmente cada visitante, transformando a refeição em um momento de troca, afeto e pertencimento.

A história do restaurante nasceu de um período de profunda dor. Durante a pandemia, Dona Tica perdeu uma filha para a Covid-19 e enfrentou momentos difíceis de luto, depressão e problemas de saúde. Em 2021, encontrou no turismo e no trabalho uma forma de ressignificar a própria vida.
“Depois da perda da minha filha, esse trabalho salvou a minha vida. O que começou com tristeza se transformou em alegria. Hoje, recebo pessoas, faço amigos e tenho a felicidade de oferecer o melhor da nossa culinária regional”, conta.
No cardápio, sabores tradicionais da Amazônia ganham destaque, como galinha caipira, tambaqui assado, caldeirada e outros peixes regionais, além do café da manhã típico, com tapioca, bolos caseiros, frutas, farofa e bolinhos de piracuí, sucos, café e leite. Tudo é preparado de forma artesanal e conforme a encomenda dos clientes.

O Restaurante da Tica funciona de terça a domingo, oferecendo café da manhã, almoço e lanche da tarde. O atendimento é realizado mediante agendamento pelas redes sociais: @rest_da_tica (Instagram) / (93) 99170-2904 (Whatsapp).
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O maior fluxo de visitantes ocorre de quinta a domingo, com destaque para os cafés da manhã nos fins de semana e feriados. Muitos turistas chegam remando, por meio de grupos de canoagem, atividade que vem crescendo e impulsionando o turismo na comunidade. O período de maior movimento acontece durante a cheia dos rios, entre dezembro e agosto, quando o Igarapé-Açu se consolida como alternativa às praias e se mantém como destino ativo ao longo do ano.

Com natureza preservada, culinária regional e forte protagonismo comunitário, o Igarapé-Açu se firma como um dos principais destinos de Santarém, um lugar onde o visitante não apenas chega, mas se conecta.
Segundo o secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, o local proporciona ao visitante uma vivência única. “O Igarapé-Açu é uma grande experiência, porque ele dá a condição de o turista vivenciar o que é uma região de várzea. Essa várzea está logo em frente à cidade, o que já é um diferencial importante.”
Outro aspecto que torna o Igarapé-Açu especial é sua configuração geográfica. O secretário explica que o local é considerado um Paraná, uma característica típica da região amazônica.
“O Paraná é quando a entrada acontece por um rio, no caso, pelo Tapajós e a saída se dá pelo rio Amazonas. Isso cria uma condição diferenciada para aquele lugar.”

Além da paisagem natural, o modo de vida das comunidades ribeirinhas é um dos grandes atrativos. As moradias tradicionais, construídas em madeira e sobre palafitas, refletem a adaptação à dinâmica das cheias e vazantes dos rios.
“Temos as casinhas de madeira, elevadas, nas palafitas, justamente para driblar a subida e a vazante do rio. Isso faz parte do modo de habitar da várzea.”

Esse cotidiano se completa com práticas que encantam os visitantes, como a pesca artesanal, o uso da canoa, a observação de aves e a culinária típica da região.
“É todo um modo de viver, o pescador, a canoa, a observação de aves e a culinária regional. Hoje o Igarapé-Açu já tem três restaurantes com comida regional, o que o torna um atrativo diferenciado de Santarém.”
Para fortalecer o desenvolvimento turístico de forma sustentável, a Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) tem realizado visitas técnicas ao Igarapé-Açu, promovendo o diálogo direto com os moradores e identificando as necessidades e vocações da comunidade.

Como desdobramento desse trabalho, a Semtur promoverá, no mês de março, cursos de capacitação com foco em Turismo de Base Comunitária (TBC) e culinária regional, preparando os moradores para receber visitantes, gerar renda de forma organizada e valorizar a cultura local.
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