
Na última visita que fiz à sede própria da Subseção da OAB de Santarém, tive o desprazer de, ao atentar para o mural da parte frontal da sede, constatar que a placa de inauguração da sede própria fora extirpada do seu lugar devido, onde estava desde o ato inaugural, em 1991.
Confesso que, por poucas vezes, retorno àquela casa e, talvez por isso, não tenha notado a ausência da placa que colocamos com muito garbo, muito brio e com o reconhecimento da classe de advogados que sabe valorizar sua instituição e seus feitos históricos, desde sua implantação na nossa cidade até os dias atuais.
Aquela sede foi fruto de um trabalho árduo da minha diretoria no seu último biênio (1989 a 1991), cujo presidente da Seccional do Pará era o Dr. Milton Augusto de Brito Nobre. Junto ao então governador Hélio Gueiros, travamos um esforço ímpar de luta para que fosse adquirido o imóvel do atual endereço da sede e lá instalada a nossa Subseção.
Não foi apenas um ato de solicitação e instalação. Antes do ato inaugural, adquirimos, junto ao então prefeito Ronam Liberal, toda a mobília necessária para os cômodos da instituição, com a definição de móveis e apetrechos indispensáveis para um funcionamento digno.
Foi uma inauguração das mais concorridas e relevantes, que contou com a presença das mais altas autoridades de Santarém, além de quase toda a diretoria do Conselho Federal, à época capitaneada pelo saudoso Dr. Ophir Filgueiras Cavalcante; do Dr. Amauri Serralvo, salvo engano, então secretário-geral; de vários outros conselheiros; de um ministro do STF, Exmo. Dr. Nery da Silveira; e de dois ministros do STJ. A eles juntaram-se o Exmo. governador Hélio da Mota Gueiros e toda a diretoria da Seccional, tendo o Dr. Milton Augusto de Brito Nobre como comandante estadual de um ato de grandeza relevante e inesquecível para a classe dos advogados e todos os santarenos.
Lembro que toda a mídia fez a cobertura do evento, no qual entregamos aos colegas um imóvel digno, relevante, apresentável e muito diferente da acanhada sala que recebemos da então primeira diretoria da OAB em Santarém.
Pois bem, com toda essa maratona de união de forças, de conjugação de desejos e de unificação de resultados, eis que vejo que a placa não mais era ostentada no seu lugar de merecimento.
Se lá, mais recentemente, ergueram uma placa nominando a Subseção como “UBIRAJARA BENTES DE SOUSA”, em homenagem post mortem a um ex-presidente que, tanto quanto outros, contribuiu para o engrandecimento da instituição, achei estranha a retirada da placa original, que tem até mais peso de projeção na classe, porque, sem a sede, nem a homenagem póstuma poderia ser registrada em um imóvel da própria OAB.
Indaguei, por escrito, em requerimento à atual diretoria, a razão da ausência da placa e pedi sua reposição no mesmo lugar de origem. Recebi resposta da ilustre presidente, Dra. Pânysa Sasha Monteiro Marinho, dando conta de que não foi em sua diretoria que se retirou o instrumento comemorativo, mas que providenciaria a imediata reposição, posto que reconhece a historicidade da placa, sua importância memorial e seu registro nos anais da OAB santarena.
Ao saber da resposta, veio-me uma súbita e profunda indignação. Isso porque, confiando nas informações da ilustre presidente, ao assumir, a placa já não estaria mais lá. Como o saudoso Dr. Ubirajara tentou removê-la, alegando motivos fúteis, protestei veementemente, e ele a recolocou no mesmo local onde fora instalada no ato da inauguração, ficando lá. Só recentemente me dei conta de que, após o falecimento do Ubirajara, e não tendo a atual diretoria sido responsável por sua remoção, só posso concluir que o nefasto ato de gestão se deu na diretoria anterior à atual.
Assim, por exclusão, apenas a diretoria anterior à atual pode ter removido a referida e importante placa. Se o fez — não tenho provas, mas indícios e informações —, tem, de minha parte, o mais abominável conceito, notadamente na pessoa do então presidente, que foi, de início, indicado pela OAB Seção do Pará para cumprir um mandato tampão (aliás, nenhum de nós, ex-presidentes, foi ouvido). Depois dessa investidura biônica, por conjunção dos ex-presidentes (eu mesmo encabecei campanha a seu favor, conclamando os demais a apoiá-lo), em uma campanha na qual, à época, não percebi o equívoco, ele foi eleito pelo processo natural, o que significou um atraso nos atos de gestão e de comando nesse período, que a nossa OAB sofreu, apagando-se em suas atribuições institucionais, numa letargia sem igual. Ressalto que uma instituição comandada por quem não exercita seus deveres estatutários breca a vontade e as manifestações dos demais integrantes da diretoria.
Independentemente do ato de retirada da placa, para mim, gera duas possíveis conclusões: ou foi um ato de absurdo descaso para com a história da primeira Subseção do Estado do Pará; ou se tratou de um ato volitivo de quem pensou que, sem a placa, apagaria a história da instituição em Santarém, visto que um mero visitante ao prédio não teria condições de ler nela a composição e os nomes de todos que foram inseridos no ato inaugural da sede, inclusive os nomes da diretoria da Subseção e da diretoria da Seccional do Pará. No primeiro caso, surge o desleixo administrativo, também imperdoável. No segundo, configura-se uma execrável decisão que nunca deveria ter sido praticada por quem se propõe a comandar a briosa OAB, ainda que movido pelo desejo de exercitar seus rasteiros atos de ingratidão e falta de visão social e cultural. Ou o fizeram por pura maldade, mas lembro que ninguém vai apagar dos anais da OAB e da galeria dos ex-presidentes a leitura escrita e fotográfica do surgimento e sequenciamento das gestões da Casa do Advogado em Santarém.
Seja quem for que autorizou a remoção da placa, não atingiu especificamente a nós da época da inauguração, mas a toda uma classe. Aliás, também feriu os brios de toda a diretoria da Seccional do Pará e, por extensão, de todos que abrilhantaram aquela pomposa cerimônia.
Quem pratica um ato dessa natureza não demonstra espírito de coleguismo, não cultua a história da classe e não merecia ter passado pelos corredores da história integrando qualquer ato de comando da OAB em Santarém.
Quero registrar aqui os nomes da minha diretoria, que, junto aos participantes, desfraldaram a placa, agora retirada, de forma injustificável ou por maldade:
Presidente: José Olivar de Azevedo
Vice-presidente: Antenor Rodrigues Lavor Filho
Secretário: Tito José Viana da Silva
Tesoureiro: Vicente Ferreira Sales
Nenhum comentário:
Postar um comentário