segunda-feira, 11 de maio de 2026

Vitória do Flamengo por 1 a 0 é um dos placares mais mentirosos dos últimos tempos.


Tem total fundamento o discurso de que poucos times são capazes de encarar de frente o Flamengo, e esse argumento também serve como justificativa para a derrota gremista na Arena. O que o placar não mostra, no entanto, é a postura totalmente submissa da equipe de Luís Castro -- realmente, não lembro de ter visto o Grêmio atuar de forma tão acuada em seu próprio estádio. A ironia é que, jogando apenas para evitar um fiasco, os tricolores acabaram a rodada no Z4.
Se o placar é tímido, os números da partida são explícitos. Os rubro-negros trocaram nada menos que 733 passes (contra apenas 338 dos gremistas), tiveram 68% de posse de bola e finalizaram 20 vezes contra o gol de Weverton -- um dos grandes responsáveis por evitar uma derrota elástica. E as estatísticas tampouco mostram o essencial: o jogo transcorreu como se o Flamengo levasse o Grêmio para passear em seu próprio gramado, controlando cada ação do jogo como se o time de Luís Castro fosse não um time insuficiente, mas um fantoche do que ocorria em campo.
Ao longo de toda a partida, a impressão é que o Grêmio jogava aterrorizado pela possibilidade de ser goleado. Para alcançar o objetivo, abdicou de qualquer imposição ofensiva -- e, em alguns momentos, parece que mesmo da vontade de existir. Apesar de cumprir a inglória missão e perder por apenas um gol, a impressão é de um efeito reverso: talvez não fosse tão constrangedor levar 3 a 0, desde que mostrasse, por três segundos que fosse, alguma inconformidade diante do Flamengo, da conjuntura econômica, da geopolítica mundial -- da vida, enfim. O Grêmio não foi goleado, mas saiu diminuído da Arena.

O gol de Carrascal, na metade do segundo tempo, estava mais cantado que Macarena. E o paradoxo é que, ao se observar as atuações individuais, nenhum jogador tricolor teve um desempenho catastrófico. O que vem se repetindo, e acabou evidenciado pela qualidade do Flamengo, é a falência coletiva do time gremista, que não convence mesmo nas vitórias contra times modestos, como aconteceu com o Riestra dias atrás -- sem falar nos tropeços contra Chapecoense, Remo, Torque e Palestino.


Contra o time rubro-negro, o técnico português iniciou a partida com três zagueiros e dois volantes mais ortodoxos. A proposta era praticamente apenas resistir, e mesmo isso sua equipe fez de forma equivocada. Depois, tentou outros cenários, e em nenhum deles o Grêmio conseguiu se converter em uma ameaça, mínima que fosse, ao controle flamenguista. Diante desse mesmo Flamengo, outros times, inferiores tecnicamente à equipe de Luís Castro, conseguiram ao menos provocar incômodo, enquanto o Grêmio sequer ousou acreditar. É uma situação embaraçosa para um clube que, na última janela, gastou R$ 110 milhões.

A consequência de tamanha passividade, além das vaias da torcida, foi o ingresso na zona de rebaixamento. A posição causa desconforto, mas a diferença para o sétimo colocado é de apenas três pontos (em uma conjuntura maravilhosa de astros e resultados, quase todos participantes brigam para não cair). O que leva mesmo o mais sereno dos tricolores a arrancar os cabelos nesta segunda-feira é que há tempos o time não dá sinais de evolução, qualquer que seja o adversário. Contra um Flamengo, então, entra quase em processo de regressão psicológica.

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