
BRASÍLIA - A bancada federal do Pará tem as melhores expectativas para a gestão do senador José Sarney (PMDB-AP) e do deputado Michel Temer (PMDB-SP), eleitos ontem, respectivamente, presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados para o biênio 2009/2010. O deputado federal paraense Giovanni Queiroz (PDT) é o único parlamentar da Região Norte a fazer parte da Mesa Diretora da Câmara. A grande surpresa da eleição de ontem foi a derrota do deputado federal Vic Pires Franco (DEM-PA). Integrante da chapa de Temer, ele foi o único a não se eleger. A responsabilidade da derrota é menos de Franco que de seu partido, o DEM, que demorou demais a indicar um nome para concorrer à segunda vice-presidência da Casa. Enquanto o DEM apresentou o nome de Vic Pires Franco apenas na véspera da votação, sem lhe dar tempo de fazer campanha, outro integrante do partido, Edmar Moreira (MG), fazia campanha há dois meses. Assim, a candidatura avulsa de Edmar Moreira venceu por 283 votos. Praticamente toda a bancada paraense votou em Temer e Sarney. No caso de Temer, os deputados apostaram no perfil moderado e na promessa de recuperar a independência da Câmara perante o governo federal e combater o excesso de Medidas Provisórias. Também pesou a favor do novo presidente a experiência: é a terceira vez que Temer ocupa a Presidência da Casa. Ele esteve no cargo nos períodos de 1997-1999 e 1999-2001.Segundo o deputado federal Jader Barbalho (PMDBPA), tanto a eleição de Temer quanto a de Sarney reforçam politicamente o PMDB: “O maior partido do Brasil agora dirige a Câmara e o Senado. A grandeza do PMDB está refletida agora no Congresso”, comemorou. Jader destacou que tanto Temer como Sarney eram os candidatos “mais preparados intelectualmente e com mais experiência política”, inclusive na Presidência das Casas para as quais se elegeram. Para o deputado, experiência é fundamental neste ano em que a economia mundial enfrenta uma crise de graves proporções e de longa duração. “Ambos têm todos os atributos para serem excelentes presidentes e estarem na linha sucessória da Presidência da República”, observou.O deputado Paulo Rocha (PT), líder das bancadas do Pará e do Norte, também votou em Temer e na chapa apoiada por 14 partidos. “O acordo político entre PT e PMDB era que o PT dirigiria a Casa nos dois primeiros anos e o PMDB nos anos finais. Cumprimos a nossa parte do acordo”, observou. Para ele, “Temer é um democrata, com experiência em dirigir a Câmara - o que dá estabilidade”, elogiou. Segundo Rocha, a expectativa é de que a gestão de Michel Temer seja caracterizada pela maturidade. Giovanni Queiroz destacou as propostas de valorização do Legislativo apresentadas por Temer e a anterior competência na gestão da Casa. “Não há ninguém melhor habilitado para dirigir a Câmara”, resumiu.Para a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB), a votação expressiva mostrou a capacidade de articulação e agregação do seu partido. Elcione chegou a sair candidata avulsa a um cargo na Mesa Diretora da Câmara, mas na sexta-feira passada (30/01) decidiu retirar sua candidatura em favor da unidade do partido. “A política não pode ser fruto das decisões individuais. Muitas vezes temos que saber recuar em favor do grupo”, afirmou. Elcione espera que o novo presidente da Casa garanta a agilidade dos trabalhos e pretende cobrar dele a criação de uma Comissão Permanente da Mulher. “O meu voto foi o mais convicto que teve Michel Temer”, afirmou o deputado Nilson Pinto (PSDB). De acordo com o parlamentar, há algum tempo a Câmara precisava de um presidente com estatura à altura do cargo: “João Paulo foi ruim, Severino Cavalcante foi péssimo, Aldo Rebelo foi frágil e Arlindo Chinaglia sofrível. Temer tem conteúdo, é professor de Direito Constitucional, tem formação acadêmica bastante sólida. Enfim, é um presidente do qual não me envergonho e que vai fazer a Câmara deixar de ser subserviente aos demais Poderes”, declarou, referindo-se aos últimos presidentes da Câmara dos Deputados. (Diário do Pará)
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