O povo quer o desenvolvimento
“Água de morro abaixo e fogo de morro acima ninguém segura”. Isto pode retratar uma tendência coletiva e serve aos diferentes aspectos do cotidiano. Numa das suas canções o bom baiano Gilberto Gil diz: “o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe”. Dois pensamentos que merecem reflexão. O primeiro é a massa formada pela maioria que nem sempre tem razão. O segundo demonstra a necessidade de o povo ter lideranças sensatas e comprometidas com os anseios da população, ainda daqueles anseios inconscientes...
Na política há uma técnica de marketing em se falar o que o povo quer ouvir. Depois que o fogo sobe e a água desce para o rescaldo então resta aos líderes a missão de fazer acontecer aquilo que o povo quer, mas não sabe o que é. Surge a arte do governar coerente ainda que isso pareça o que a massa não queira... Porém, daí se deve tirar a essência do que realmente os liderados querem. Desenvolvimento sustentável são duas palavras que se desprenderam das brochuras técnicas para a boca dos mais simples cidadãos das diferentes idades e classes sociais, estas por mim consideradas ‘segregação capital’.
O fenômeno do ‘desenvolvimento sustentável’ criado pela minoria abastada tornou-se bandeira da maioria segregada que luta pela igualdade e justiça social, em outras palavras, a distribuição de renda que não é distribuir dinheiro, mas criam-se condições de produção que envolva a atividade extrativista, beneficiamento até a colocação dos produtos no mercado local e regional com possibilidades de exportação.
Dar rumo ao que “quer o que não sabe” é uma questão de ordenação e a qualificação desta mão-de-obra, se extraindo a capacidade de empreender. No mundo dos negócios nem todos são empreendedores, mas todos podem e devem ter a chance de qualificar-se naquilo que é vocacionado. Ai entra os cursos do SEBRAE, bem como de escolas técnicas criadas pelo governo federal. As feiras livres criadas nos bairros, as mais antigas á existentes, são oportunidades de negócios para muita gente melhorar seu orçamento doméstico.
As prefeituras e câmaras municipais são co-responsáveis com o incentivo da formação de cooperativas e associações das diversas áreas produtivas tanto extrativistas, de serviços e comerciais que destaquem os valores em potenciais desses setores produtivos. É preciso que se gere ocupação com renda para os trabalhadores, o que já foi provado por pesquisas que em sua maioria estão trabalhando em micro e pequenos empreendimentos. O sonho da instalação de grandes indústrias ma região chega ser utópico. A região, por que não dizer o estado é carente de infra-estrutura como estradas e energia, além do que as regiões fora do eixo ficam longe para a aquisição da matéria prima e a conseqüente mão-de-obra especializada.
O que resta para o interior é o exercício de um esforço concentrado, político e técnico que envolva o setor público, as associações, sindicatos e cooperativas numa ação conjunta para identificar os potenciais de produção e incrementar os Arranjos Produtivos Locais. Temos alguns exemplos na região de algumas pequenas confecções que além de abastecerem o mercado local e regional também exportam alguma coisa até para o exterior. Há alguns anos que exportar ficou mais fácil, pois os Correios têm o serviço ‘Exporta Fácil’ que se consolidou como um importante auxiliar do micro e pequeno empresário que vê no mercado exterior a oportunidade de maior faturamento e tudo com segurança e rapidez, de acordo informações da empresa. Mãos a obra!
(J.Colares)
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