sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Pantera, os ratos e a ratoeira

Por: Marcos Santos / 4º Poder

Um advogado está sendo contatado por um grupo de jogadores do São Raimundo para tentar resolver a situação dos atletas com o clube. Se pelos próximos dias, os dirigentes não acertarem o pagamento dos salários atrasados e as indenizações, uma ação coletiva será movida contra o alvinegro santareno na Justiça do Trabalho. 


Alguns atletas já estão retornando para suas cidades de origem, porém, eles deixaram uma procuração assinada para que seja constituído um advogado para acionar o clube judicialmente.

Este é mais um capítulo da novela sórdida que envolve o clube da Silva Jardim, que desde a eliminação do time no campeonato estadual entrou em crise por arte e engenho de alguns dublês de cartolas.

De lá para cá, os diretores entraram em rota de colisão, trocando acusações mútuas.

De acordo com informações obtidas pelo QP esta semana, a folha de patrocínio do clube é estimada em R$ 140 mil. A Yamada (R$ 70 mil) e o Banpará (R$ 30 mil), são os dois principais patrocinadores. O São Raimundo recebe ainda verba publicitária de outras duas instituições (R$ 30 e R$ 10 mil).

Um dirigente informou ao blog que a ameaça feita pelos jogadores de que eles irão acionar o clube na Justiça do Trabalho não deve vingar, pois a diretoria está fazendo todos os esforços para quitar os débitos com os atletas. “Estamos aguardando o repasse das verbas publicitárias para pagar salário e indenizações”, disse o dirigente que pediu para não ter o nome citado. (Na última quinta-feira (9), teve um novo encontro entre jogadores e dirigentes, porém, as duas partes não chegaram a um acordo. Os atletas estão se sentindo desprestigiado pela diretoria e, por isso, vão mesmo acionar a Justiça contra o clube.)

Segundo o interlocutor, o objetivo dos dirigentes rebelados (Jardel, Junior Tapajós e Alberto Tolentino), em lançar na mídia acusações contra a diretoria é causar abalo na administração do São Raimundo, forçando, principalmente, a renúncia de parte dos diretores. Ele afirma, no entanto, que a cúpula alvinegra não cederá às pressões e nem vai abrir o clube como pleiteia o trio.

O São Raimundo não chega a ter trinta sócios em dias com suas obrigações.

“Quem tem título e não pagou suas mensalidades, automaticamente perde o seu direito de sócio do clube”, afirma.

Reunião
Na próxima terça-feira (14), às 17 horas, será realizada uma reunião do Conselho Deliberativo para tratar dos fatos mais recentes envolvendo o clube.

Oportunismo
Alguns dirigentes tentaram tirar proveito do nome do São Raimundo. Havia dirigente que emprestava dinheiro a juros para que a diretoria efetuasse o pagamento de parte do salário dos atletas. Na última vez, o cartola-agiota sugeriu que a diretoria lhe cedesse a concessão de cem títulos de sócios-proprietários para quitar o ‘empréstimo’, um gesto nobre. Aliás, nobríssimo. Lembrando que cada título custa R$ 4 mil.

O blog também obteve informações de que outro dirigente, toda vez que vinha a Santarém para resolver problemas do clube recebia R$ 5 mil por seus relevantes serviços prestados.

Distribuição de ingressos
Outro problema enfrentado pelo clube foi a evasão de ingressos. A distribuição aleatória causou prejuízos aos cofres do São Raimundo.

Em dias de jogos, os cartolas se reuniam para fatiar a cota de ingressos destinada para os ‘amigos’ e parceiros do clube. Por exemplo:

***A torcida organizada, supostamente era contemplada com 150 ingressos. Supostamente porque um espertalhão ficava com os ingressos e os comercializava, depois de garantir passe livre aos torcedores.

***Para o pessoal da prefeita Maria do Carmo eram destinados 150 ingressos.

***A Polícia Militar recebia 200.

***A secretaria de Esporte e Lazer mais 40, sendo que desse total, cinco deveriam ser entregues à Seminf, para distribuir para o pessoal de limpeza, que se encarregava de limpar o estádio após as partidas. Deveriam, mas não eram entregues. A limpeza acabava mesmo sob a responsabilidade do próprio São Raimundo. E por aí vai.

Da renda
Ainda segundo essas informações obtidas pelo QP, em dias de jogos do time em Santarém, a renda era rateada ali mesmo, no estádio, após o fechamento das catracas. Um emissário da Prefeitura recebia em mãos os 10% destinados aos cofres do Poder Executivo.

O certo era o depósito ser efetuado diretamente na conta da Prefeitura. Mas o representante do governo fazia questão de pegar o dinheiro pessoalmente. E para onde era destinado esse dinheiro? Ninguém sabe, ninguém viu.

Até o presidente da Federação Paraense de Futebol, coronel Nunes, que em todos os jogos do São Raimundo vinha à cidade, recebia os 10% que caberiam à sua entidade. Para quê esperar a burocracia dos bancos, não é mesmo?
Ah! Ainda tinha os 10% do INSS.
No fim das contas, a renda não era suficiente para pagar as despesas do clube, sobretudo o salário dos jogadores.

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