segunda-feira, 11 de julho de 2011

A pedagogia do absurdo

a pedagogia do absurdoApesar de tantos avanços pedagógicos, parece cada vez mais enraizada a crença, traduzida em prática, de que a função da escola se resume a despejar sobre os alunos conhecimentos da mais pura originalidade. Em lá chegando, eles se postam diante do detentor do saber – o professor –, a quem compete abastecê-los. Assim, quanto maior a quantidade de conhecimentos repassados e retidos, mais a escola cumpre o seu papel de guardiã e fomentadora do saber, mais ela prepara seus alunos para enfrentarem os desafios que a vida lhes impõe. Decorrente dessa compreensão, reforça-se a autonomia da escola em relação a tudo o que está em seu redor: ela produz seus próprios conhecimentos, constrói estratégias para repassá-los e estabelece mecanismos próprios de aferição. O mais comprometedor desse estranho viés é que o professor, guiado pela certeza da autonomia, nutre a arrogância de ser portador do ineditismo de tudo quanto transmite no espaço de sala de aula. Por tabela, considera que os alunos se apresentam à escola zerados de quaisquer conhecimentos e despossuídos de quaisquer informações, apagando, assim, a sua rica e inevitável experiência de vida, o que absurdamente apaga, também, a sua história.

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