domingo, 10 de julho de 2011

Um em cada dez brasileiros já mora em apartamentos

Quem con­sidera que "boom imo­bil­iário" é uma ex­pressão recor­rente apenas nas grandes metrópoles brasileiras nunca esteve em Pa­rauapebas ou em mu­nicí­pios como Ariquemes, em Ro­raima, ou Marabá, no Pará. Um recorte inédito do Censo De­mográ­fico 2010 feito pelo Es­tado mostra que a ver­ti­cal­ização se es­palhou pelo País e ci­dades pe­quenas e mé­dias são hoje os prin­ci­pais mo­tores dessa tendência.
Nos úl­timos dez anos, o número de aparta­mentos da Região Norte cresceu em um ritmo 3,5 vezes maior que no restante do Brasil - que tem hoje 6,2 mil­hões de aparta­mentos, um número 43,2% maior do que em 2000.
Hoje, 1 em cada 10 brasileiros mora em pré­dios. A pro­porção ainda é duas vezes menor no Norte, mas o cresci­mento em lo­cais como Rondônia, Amapá e To­cantins foi sem prece­dentes. Nesses Es­tados, os aparta­mentos se mul­ti­plicaram por sete e cresceram pro­por­cional­mente 15 vezes mais que em São Paulo.
Entre as ex­pli­cações, estão o au­mento da renda, do em­prego e do crédito. Morar em pré­dios também se trans­formou em status, sím­bolo de pros­peri­dade. Além disso, a falta de ter­renos nas grandes metrópoles levou o mer­cado imo­bil­iário a novos en­dereços, seja para con­struir pré­dios para famílias de baixa renda ou para er­guer torres neo­clás­sicas nos moldes paulis­tanos.
In­fraestru­tura. O prob­lema oculto nesses números dignos de cresci­mento ch­inês é que, com todos esses pré­dios, vieram as pes­soas. E, com as pes­soas, apare­ceram o trân­sito, os as­saltos, a falta de es­goto e muitos outros prob­lemas estru­tu­rais, que nessas ci­dades se mostram ainda mais acen­tu­ados por falta de plane­ja­mento. (Es­tadão)
Para se ter ideia, 90% dos gov­ernos mu­nic­i­pais não têm se­quer um ar­quiteto ou en­gen­heiro. En­quanto o aden­sa­mento ur­bano pode tornar as ci­dades mais com­pactas e fun­cionais, a ver­ti­cal­ização sem re­gras piora con­sid­er­av­el­mente a qual­i­dade de vida dos moradores.
A pre­ocu­pação, se­gundo espe­cial­istas, é que esses mu­nicí­pios estão repetindo os mesmos erros das grandes cap­i­tais que se ver­ti­calizaram nas dé­cadas an­te­ri­ores. "Temos leg­is­lações tão atrasadas que podem ser com­paradas às amer­i­canas ou eu­ropeias do século 19.

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