Reginaldo Campos critica Helenilson Pontes, que não se manifesta pelo Estado do Tapajós
O jornal O impacto, no papel democrático
e social, abre nesta edição, a primeira entrevista a favor do SIM, pela
criação do Estado Tapajós. Oportunizamos, na edição anterior, a defesa
pelo NÃO à divisão do Estado. O NÃO foi defendido pelo advogado Ismael
de Moraes, da capital do Estado. O nosso entrevistado do SIM ao Tapajós,
é o Vereador e um dos membros da coordenação do Instituto Cidadão
Pró-Estado do Tapajós (ICPET), Reginaldo Campos (PSB) de Santarém, Oeste
do Pará.
Jornal O Impacto: Como deve ser
monitorada a chegada de empresas de grande porte, na região, com a
criação da nova Unidade Federativa, no item sustentabilidade?
Reginaldo Campos: Vejo
com muita preocupação como a Amazônia hoje é vista para todo o País. O
Pará não foi um Estado responsável com as políticas ambientais. Deixou
duas regiões desassistidas, o Oeste e o Sul do Pará. Onde têm
agravamento da violência no campo. As conseqüências disso são muitas
mortes, grilagem de terra, e desmatamento, ou seja, a falta uma
legislação competente. Isso é responsabilidade do estado do Pará, que
demorou muito para dar essas respostas. As mineradoras estão explorando o
nosso solo, levando as nosssa riqueza, portanto, o Estado pode e deve
fazer uma legislação competente que seja voltada para os interesses dos
filhos da floresta, as pessoas humildes. Deveria distribuir melhor a
renda no interior. Como um Estado novo que nasce na era da globalização,
da tecnologia, tem condições de fazer acontecer aqui na nossa região,
na Amazônia. ¬Então, o estado do Tapajós terá condições de estar mais
presente nessas ações para combater, criando mecanismo estratégicos,
fazendo parceiras com o Ibama e outros órgãos federais, para que o
Estado venha atender as demandas de sua população.
Jornal O Impacto: Santarém já
agrega uma grande responsabilidade com moradores dos demais municípios,
principalmente na disponibilidade dos serviços de instituições estaduais
e federais, mesmo com alguns órgãos em precariedade em atendimentos. O
que pode melhorar com o estado do Tapajós na região Oeste?
Reginaldo Campos: Nós
temos uma responsabilidade muito grande. Santarém é uma cidade
estratégica, que se beneficia de sua geografia. São 11 cidades que fazem
fronteira com Santarém, é natural que tenha essa liderança. Não
significa que Santarém será a capital. Isso ainda vai ser discutido
depois com muita responsabilidade. Mas, a cidade santarena tem a
obrigação de liderar, porque é um Município que recebe muita ajuda da
região quando se vem comprar e vender. Há um grande fluxo de
comercialização. Mas, os moradores de outros municípios vizinhos também
trazem dificuldades para nós santarenos. E temos a responsabilidade de
dar conta. No entanto, o estado do Pará não investe, e o município de
Santarém paga uma conta muito alta, quando cresce dessa forma. O estado
do Pará construíu o Hospital Regional em Santarém para atender 27
municípios. Portanto, o estado do Tapajós vai construir outros Hospitais
em Itaituba, Oriximiná, Almerim. Além de outros órgãos para garantir
também a segurança, e a geração de emprego e renda que é muito
importante para um Estado ficar fortalecido.
Jornal O Impacto: Existe o
receio da população, quanto insegurança, como o alto índice de
criminalidade vir no pacote do “progresso” anunciado com a criação do
estado do Tapajós?
Reginaldo Campos: Sem
dúvida, a nossa região geograficamente é desassistida da segurança que
merecemos. Nós fazemos fronteiras com vários estados e também com outros
países, como Suriname e a Guiana Francesa, e é fácil a entrada pelas
nossas fronteiras de drogas e armamentos, pois ficamos vulneráveis. O
estado do Pará tem o efetivo muito pequeno na região. E com estado do
Tapajós vai aumentar, e triplicar o efetivo da Polícia Militar e Polícia
Civil. Já a Polícia Federal estará mais presente aqui, porque vai ter
uma estrutura maior, pois vai ser uma nova unidade federativa. A
população vai se sentir mais segura, na nossa região. Uma vez que o
estado do Pará, não tem pernas, não tem estrutura econômica para ampliar
esses serviços ao mesmo tempo em que a demanda cresce na região.
Jornal O Impacto: A população do
Pará está ligada na campanha eleitoral do NÃO e do SIM à divisão do
Estado, na mídia. Como o senhor analisa a exposição da defesa do Não aos
eleitores?
Reginaldo Campos:
Estamos também trabalhando de forma intensiva para mostrar a todo Pará, a
respeito da nossa dificuldade que temos na região Oeste do Estado. A
logística para o desenvolvimento é muito precária na nossa região devido
a distância que nos separa do centro da capital Belém. Isso dificulta o
desenvolvimento estratégico dos municípios. Portanto, nós acreditamos
que a defesa do Não deixa de conseguir deter esse sentimento de
emancipação do povo do interior do Pará, que almeja um Estado mais
presente, uma vez que os governos do Pará não deram conta, sem repostas
rápidas a demanda desse povo. Portanto, o NÃO defende as coisas como
estão. O SIM defende a mudança, a defesa da vida, das florestas, das
famílias que moram distante da capital e são desassistidas pelo governo
do Estado, na impossibilidade de ter educação, dignidade, qualidade de
vida e condições de alimentar melhor a sua família. O contrário de tudo
isso, significa o SIM.
Jornal O Impacto: A população
entende que o Executivo do Estado deve ser imparcial nesse momento
democrático. A campanha do Não utiliza táticas da campanha eleitoral do
governador Jatene, como o ritmo tecno brega. A semelhança da estratégia
coloca dúvidas na postura o governo do Pará, nesse momento decisivo?
Reginaldo Campos: Eu
fico muito preocupado que o estado do Pará esteja metendo seu dedo nessa
campanha. O governo é funcionário do povo, é o povo que está exercendo a
sua cidadania. O povo do interior do Pará, o mais sofrido que quer a
criação dos dois novos estados. E o governo do Pará não deveria nem se
envolver nessa questão, portanto, fica aqui a nossa indignação quanto à
intromissão do governo do Estado do Pará. E também a ausência do
vice-governador, Helenilson Pontes, que é filho da região, em relação ao
assunto. Ele está nas nuvens, enquanto o seu povo está carregando
pedras. Portanto, o governo do Pará tem que ficar no seu lugar de Juiz,
como o próprio Jatene prometeu que ia ficar. Acreditamos e queremos
acreditar que ele vai honrar a sua palavra.
Jornal O Impacto: Os resultados
das pesquisas das empresas de comunicação na capital sempre apontam o
Não como vencedor, mesmo que seja mínima a diferença para o SIM. Como
pode ser avaliada a veracidade desses percentuais contabilizados em
Belém?
Reginaldo Campos: Não
podemos nos enganar que a burguesia dominante de Belém sempre nos
oprimiu e sempre vai continuar nos oprimindo e esses dias serão
decisivos. Todos os domingos os jornais Liberal e Diário sempre
colocaram notas nos desrespeitando, nos diminuindo como povo do Oeste do
Pará. Publicaram que não éramos dignos e capazes de ter o plebiscito
aprovado. E nós mostramos que somos capazes e está aí o plebiscito
aprovado. E seremos capazes de aprovar o SIM.
Jornal O Impacto: Nessa última etapa, quais as estratégias para fechar todas as urnas com a numeração 77, SIM ao Tapajós?
Reginaldo Campos: Tanto
a Frente Parlamentar como o Instituto estão preocupados em criar uma
agenda positiva para a região até o dia 11 de dezembro. Precisamos
levantar fiscais, em todos os municípios. E, já lançamos o convite nesse
espaço jornalístico para convidar pessoas a se tornar um voluntário. É
preciso procurar os vereadores, os presidentes das Câmaras Municipais, o
Prefeito da sua cidade, e aqueles que estão organizando a campanha,
para ser um fiscal no dia da eleição. Amanhã, sábado, deve ocorrer um
grande evento, em Belém, pelo SIM. Aqui na região vamos continuar a
fazer blitz, palestras nas escolas, envolvendo cada vez mais os nossos
empresários, os prefeitos, os vereadores, os líderes comunitários, todos
os cidadãos para esta grande caminhada em favor de dias melhores para o
nosso povo. Belém vai continuar ganhando muito, principalmente, por
construir os dois parques tecnológicos, a capital paraense detém a
tecnologia da construção. E tanto o Tapajós e quanto o Carajás serão
construído por essa tecnologia e seremos parceiros estratégicos.
Jornal O Impacto: A mídia
nacional deve vir à Santarém nos próximos dias. Como o Instituto
Pró-Estado do Tapajós está mobilizando essa abertura para todo o Brasil
que o SIM prevalece?
Reginaldo Campos: A
proposta que no dia 29, a equipe de reportagem do Jornal Nacional / O JN
no Ar chegue em Santarém. A equipe vai ver uma região aguerrida, na
defesa da cidadania, do seu povo. Vamos ornamentar a cidade, convidamos a
população nesse trabalho. Tem muitas pessoas nos cobrando uma campanha
mais presente nas ruas. Portanto, existe uma dificuldade financeira.
Todos os recursos têm sido levantados com os nossos empresários. E aqui
queria registrar o excelente trabalho da Associação Comercial e
Empresaria de Santarém (ACES), na pessoa do Alberto Oliveira e do Olavo
das Neves, que têm fazendo um excelente trabalho ao lado do professor
Edivaldo Bernardo, a equipe do Instituto que tem sido incansável na luta
da busca de recursos. Mas, sabemos que a campanha mais importante para o
estado do Tapajós está no coração de cada cidadão do Oeste do Pará,
votar SIM 77 duas vezes Tapajós e Carajás.
Por: Alciane Ayres/Impacto
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