Por - Matheus Freire

A volta às aulas costuma trazer empolgação para alunos e famílias, mas também exige atenção redobrada ao orçamento doméstico. A compra do material escolar, muitas vezes extensa e com preços variados, pode se transformar em um problema financeiro quando não há planejamento.
Especialistas orientam que o primeiro passo seja organizar as finanças antes mesmo de ir às compras. “O primeiro passo é o planejamento. Antes de comprar qualquer item, a família precisa analisar a renda mensal disponível, levantar todas as despesas fixas como aluguel, água, luz, alimentação e transporte, e identificar quanto sobra para gastos sazonais. Definido um limite máximo de gasto, aí sim partir para a lista de materiais”, explica Hellen Martins, gerente de Negócios Pessoa Física da Sicredi Norte.
Esse cuidado faz parte da rotina do jornalista Igor Wilson e da nutricionista Késia Ferreira, pais de Maria Violeta, de 9 anos, e Heloim Crystal, de 5. Segundo Igor, o planejamento começa ainda em novembro. “Nesse período a gente já costuma pagar as contas adiantadas para, em janeiro, conseguirmos estar com um pouco mais de dinheiro pra esse extra, porque além do material escolar tem os livros, que são os mais dispendiosos”, relata.
Pesquisar preços é outra estratégia fundamental. Comparar valores entre papelarias, livrarias, atacarejos e lojas online pode reduzir significativamente o custo final. Na hora do pagamento, a decisão entre pagar à vista ou parcelar no cartão de crédito também impacta diretamente o orçamento.
O pagamento à vista costuma garantir descontos, principalmente em compras maiores. Já o parcelamento no cartão pode ser uma alternativa viável, desde que seja bem planejado. A família de Igor opta por pagar o material à vista e parcelar apenas os livros. “Parcelar no cartão pode funcionar quando a loja não oferece desconto à vista, quando as parcelas cabem no orçamento e não comprometem o limite do cartão. O ideal é parcelar em até três ou quatro vezes, sem juros”, orienta Hellen.
A gerente alerta que parcelas longas podem se acumular com outros gastos do ano, como mensalidades escolares, impostos e despesas fixas. “O cartão de crédito não é renda extra, é compromisso futuro. Sem planejamento, ele pode transformar um gasto pontual em uma dívida de longo prazo”, afirma.
Outro ponto de atenção é o crédito rotativo. Quando a fatura não é paga integralmente, os juros elevados podem transformar uma compra simples em um problema financeiro duradouro. Em situações extremas, algumas famílias cogitam empréstimos, mas a recomendação é cautela. “Não é indicado recorrer a empréstimos para despesas previsíveis como material escolar, salvo em casos de imprevistos graves e com acesso a linhas de crédito de juros muito baixos. Mesmo assim, deve ser a última alternativa”, explica Hellen.
Para Igor e Késia, o consumo consciente é a principal lição. “No primeiro momento pode parecer difícil pagar à vista, mas nos meses seguintes a pessoa agradece por não ter uma fatura alta para pagar. É um esforço que evita ficar endividado durante todo o semestre”, destacam.
Com planejamento financeiro, pesquisa de preços e uso responsável do cartão de crédito, as famílias conseguem enfrentar a volta às aulas com mais tranquilidade e sem comprometer a saúde financeira ao longo do ano.
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