Por: Sílvia Vieira
Catraias estão paradas porque o nível da água canal entre a escadaria e a Ilha do Amor praticamente secouA Associação dos Catraieiros de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, solicitou à Prefeitura o reconhecimento da categoria como diretamente afetada pela crise climática e a concessão de auxílio financeiro emergencial aos trabalhadores prejudicados pela estiagem e pela fumaça das queimadas.
O pedido foi formalizado nesta quinta-feira (29), em ofício encaminhado a secretarias municipais e ao Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT).
Segundo a entidade, a redução do nível do rio e a poluição atmosférica comprometem a segurança das travessias e a saúde dos profissionais, que dependem da atividade para sustentar suas famílias.
As catraias estão em terra porque o nível de água no canal entre a escadaria e a Ilha do Amor baixou desaticamente e em alguns trechos secou. Atualmente, os visitantes fazem a travessia a pé.
O presidente da associação, Antônio Sardinha, aguarda uma resposta formal da Prefeitura, com indicação das providências possíveis e prazo para reunião com os representantes dos catraieiros.

Santarém está em situação de emergência
O município decretou situação de emergência por estiagem em 15 de outubro, por meio do Decreto nº 774/2026. Em 28 de outubro, anunciou também emergência ambiental, pelo Decreto nº 792/2026, diante dos incêndios e da piora da qualidade do ar.
O ofício cita um registro de 27 de outubro, às 5h34, quando a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 205,8 microgramas por metro cúbico em Santarém, conforme dados de monitoramento do IPAM pela plataforma PurpleAir, reproduzidos pelo Portal RDN. A medição é pontual e não corresponde especificamente a Alter do Chão.
A associação propõe auxílio mensal de pelo menos um salário mínimo por trabalhador, durante o período em que a seca extrema comprometer a atividade. Também pede o levantamento dos profissionais atingidos e das perdas financeiras.
Entre as demais reivindicações estão uma reunião emergencial com os órgãos responsáveis, o monitoramento da qualidade do ar em Alter do Chão e orientações para proteger a saúde e a segurança dos catraieiros.
Reconhecidos como Patrimônio Histórico-Cultural Imaterial de Santarém pela Lei Municipal nº 21.490/2022, os trabalhadores defendem que a preservação da tradição também exige medidas de proteção à categoria.
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