segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pesquisador questiona derrubada de meio bilhão de árvores na Amazônia


(Foto: Divulgação)- blogdoplaneta
Falta consenso entre os pesquisadores do estudo que estimou a queda de meio bilhão de árvores na Amazônia em 2005. Financiado pela NASA e pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, o artigo divulgado na segunda-feira (dia 12) afirma que um aglomerado incomum de tempestades foi responsável pela derrubada em massa da floresta. A área do estrago seria algo em torno de 9.000 km2, maior que o desmatamento do ano passado todo.
Segundo Bruce Nelson, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um dos co-autores do estudo, é preciso ter cuidado com os resultados. “Os cientistas foram a campo avaliar só 5 km2”, diz ele. “A área de danos estimada é 1.600 vezes maior. Precisamos saber como esta extrapolação foi feita”.
Para estimar os prejuízos, os cientistas combinaram imagens de satélite com estudos de campo. Avaliaram 5 km2 ao redor da cidade de Manaus. Ali, a tempestade derrubou entre 300 e 500 mil árvores. Com base nesses dados, os pesquisadores extrapolaram os resultados para toda a bacia amazônica – com 4,5 milhões de km2.
Nelson diz que só leu a última versão do artigo depois de procurado pela reportagem. O estudo original, segundo ele, falava em 215 milhões de árvores derrubadas – menos da metade do divulgado. O artigo, recusado por diversas revistas científicas, foi aceito pela “Geophysical Research Letters” e deve ser publicado em breve.
Outro questionamento de Nelson diz respeito às imagens de satélite consultadas. Ele afirma que os cientistas avaliaram só quatro imagens de satélite Landsat. Para abranger a Amazônia toda, é preciso olhar em torno de 130. “Ainda não está claro se toda a derrubada está associada à tempestade. Precisamos de mais estudos”.
Os temporais são antigos conhecidos dos cientistas de causarem mortes na floresta. Mas esta é a primeira vez que os pesquisadores fazem as contas. Se estão certas ou não, é outra história.

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