
Muito tempo de espera, ônibus insuficientes, lotados e desorganização na hora do embarque. Além disso, o terminal não está adequado ao que seria o razoável para um dos mais importantes destinos turísticos na Amazônia.
Assim, a vida de quem precisa de ônibus para ir e vir à vila balneária fica cada vez mais precária. Visitantes que utilizam o meio de transporte veem o contraste marcante entre a beleza natural e o descaso do Poder Público, deixando que o turista tenha como lembrança a dificuldade de usar o transporte público coletivo, em Alter do Chão.
“Fui pela primeira vez e nunca mais eu volto, pois é muito descaso. Uma situação muito feia para um local tão lindo”, disse o visitante Antônio Sousa, que esteve na vila balneária no domingo (11).
Ele relata que apesar de ter um terminal, e as pessoas passarem muito tempo esperando ônibus, o banheiro que deveria ser público e gratuito, é realizada a cobrança de uma taxa.
“Já que aguardamos no terminal de ônibus, tinha que ter banheiro gratuito”, questiona Sousa. Acrescentando: “Se vai aumentar mais uma vez a passagem, tem que ter ônibus circulando; se tem terminal, precisa de banheiro público”.
Outro denunciante cita o que para ele é mais grave: “Com dezenas de passageiros esperando a algum tempo, sentados na calçada, em um local sem estrutura. O ônibus chega no terminal e os passageiros ainda precisam aguardar vários minutos para poderem embarcar, demonstrando o descaso completo com os usuários do transporte coletivo. Como a SMT permite uma situação dessas? Isso não é possível que aconteça, ou seja, a empresa a qual tem a concessão faz o que bem entende”.
A percepção de quem depende das linhas para o Eixo Forte e Alter do Chão é de que o Poder Público negligencia a situação. A precariedade do transporte tem se tornado a principal “lembrança” negativa levada por turistas, que enfrentam esperas exaustivas sob condições inadequadas.
A moradora da vila, Maria do Socorro, de 48 anos, relata o impacto direto na saúde e no bolso. “Ter que esperar tanto e andar em ônibus lotado é uma humilhação. A gente paga caro por um serviço que nos trata como mercadoria acumulada. Na verdade, como sardinha em uma lata”, denunciou.
Para o trabalhador do setor de turístico, que preferiu não se identificar, o sistema atual é um “desserviço” ao desenvolvimento econômico. “Recebo estrangeiros que preferem utilizar o transporte público, mas acabam ficando horrorizados. Eles perguntam como um lugar tão famoso não tem um transporte minimamente organizado. O descaso do governo municipal está matando a galinha dos ovos de ouro de Santarém, que é o nosso turismo”, alerta.
A estudante Juliana Costa também reforça o coro de reclamações sobre a lotação. “Os ônibus já saem de Santarém cheios e, quando chegam nas comunidades do Eixo Forte, ninguém mais consegue subir. É perigoso, abafado e um desrespeito com quem estuda e trabalha. O aumento da tarifa é anual, mas a melhoria nunca chega”, concluiu.
Essa não é primeira vez que denúncia como está chega à reportagem de O Impacto. Ano passado, foram inúmeras as reclamações sobre o serviço prestado pela empresa que tem a concessão municipal para operar a linha Santarém/Alter do Chão, contudo, até o momento, a situação permanece sem uma solução definitiva.
Nesta semana entrou vigor o aumento da tarifa do transporte coletivo de Santarém, que passou de R$ 4,50 para R$ 4,80. Já a passagem para Alter do Chão agora é R$ 5,90.
O Impacto
Nenhum comentário:
Postar um comentário