sexta-feira, 17 de abril de 2026

ALEPA APROVA PROJETO QUE RECONHECE O ESPETÁCULO PAIXÃO DE CRISTO DE SANTARÉM COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DO PARÁ

 

A Assembleia Legislativa do Pará aprovou por unanimidade, na terça-feira (7), o Projeto de Lei nº 237/2025 que reconhece o espetáculo Paixão de Cristo, apresentado em Santarém, no oeste do Pará, como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Estado. A proposta é de autoria da deputada Maria do Carmo Martins (PT) e agora segue para sanção da governadora Hana Ghassan (MBD).

Encenado pelo Grupo Teatral Kauré, o espetáculo reúne cerca de 300 colaboradores entre atores, equipe técnica e voluntários. Na edição de 2026, realizada na noite da Sexta-feira Santa (3), na Praça Tiradentes, mais de 5 mil pessoas acompanharam a 41ª apresentação.

Segundo a autora do projeto, o reconhecimento busca valorizar uma das manifestações culturais mais tradicionais da região oeste do paraense.

“O espetáculo é um evento tradicional e emblemático da cultura santarena que mobiliza cerca de 300 colaboradores, atraindo um público superior a 4 mil pessoas por edição. No ano passado, o grupo celebrou quatro décadas de história; um movimento cultural que resiste, cresce e projeta Santarém para além das fronteiras do Estado”, justificou a deputada Maria do Carmo Martins.

A história da encenação começou na década de 1980, de forma simples, na Praça Tiradentes. A iniciativa partiu de um grupo de jovens ligados à Paróquia São Raimundo Nonato, no bairro Aldeia, com apoio do Padre José Dillon. A mobilização deu origem ao Grupo Teatral José de Anchieta, responsável pelas primeiras montagens do espetáculo.

Com o passar dos anos, a apresentação ganhou estrutura e passou por diferentes espaços da cidade, como o Estádio Colosso do Tapajós, Espaço Pérola do Tapajós e a área em frente à igreja São Raimundo Nonato. Em 2015, o Grupo Teatral Kauré assumiu a realização da encenação e, desde 2022, o espetáculo voltou a ser apresentado na Praça Tiradentes, onde tudo começou.

Ao longo das décadas, a encenação também ganhou identidade própria. Elementos da cultura amazônica aparecem nos figurinos, cenários e na participação de artistas da região, transformando o espetáculo em um movimento cultural do oeste do estado.

Desde 2023, a apresentação também passou a ser transmitida para mais de 40 localidades das regiões Norte e Nordeste, alcançando um público estimado em mais de 200 mil pessoas, além da transmissão pela internet.

Para a produtora executiva do Grupo Kauré, Márcia Corrêa, a aprovação do projeto representa um momento histórico para o grupo. “Recebemos com muita alegria a aprovação na Alepa do projeto de lei. Este é um momento histórico para todos nós, que com fé, dedicação e amor à arte construímos essa encenação ao longo de tantos anos. Para nós, ver esse trabalho sendo valorizado como expressão da cultura paraense fortalece ainda mais a nossa missão”, afirmou.

O grupo agora aguarda o próximo passo para que o reconhecimento se torne oficial. “Agora seguimos com o coração cheio de esperança, aguardando a sanção da governadora, confiantes de que esse reconhecimento se tornará oficial e marcará definitivamente a trajetória do nosso grupo e da cultura em Santarém, em nosso estado e na Amazônia”, completou Márcia Corrêa.

O coordenador do grupo, Alenilson Ribeiro, afirmou que o reconhecimento fortalece o trabalho cultural e a relação entre arte e espiritualidade.

“Isso nos fortalece porque mostra esse encontro da arte com a espiritualidade, do palco com o povo, do presente com o passado, então, é essa relação que a gente tem, falar sobre essa nossa Amazônia, essa nossa espiritualidade, esse nosso povo amazônico, essa nossa visão amazônica religiosa também, então isso nos deixa muito felizes. Esse reconhecimento também facilita os nossos projetos, facilita que a Paixão cada vez mais possa crescer”, afirmou.

Matéria do Jornal O Impacto

DETALHE: O autor do projeto de lei original na câmara municipal de Santarém, foi o servidor técnico legislativo da Casa de Leis, José Colares. Que hoje sente-se honrado de ver sua obra como Patrimônio Cultural do Pará. Quem apresentou no plenário foi o então Vereador Marco Aurélio (Marquinho). Feito o registro!

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