Vandalismo – Pichadores danificam Praça do Mirante do Tapajós

Canhões que foram recolocados recentemente na Praça, estão todos pichados
A Praça do Mirante do Tapajós, um dos pontos turísticos de Santarém e um dos locais mais visitados por turistas, localizada nos altos da Escola Frei Ambrósio, no centro da cidade, devido ao abandono em que se encontra, com a falta de fiscalização por parte do poder público, virou alvo de vandalismo e depredações, bem como a insegurança impera no local, principalmente pela parte da noite, onde bandidos, traficantes e vândalos se apoderam do local para a prática de seus crimes.
Nossa reportagem esteve no local e registrou o alvo do vandalismo, com pichações em diversos pontos da Praça, como bancos, banheiro, lanchonete, os quatro canhões e o ponto de observação do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas.
RETRATO DO ABANDONO: A Praça do Mirante virou motivo de reclamação de centenas de usuários. Diariamente, estudantes, autônomos e trabalhadores do comércio procuram o local em busca de tranquilidade, mas segundo eles, os problemas que acontecem pela falta de manutenção estão causando transtornos para a comunidade santarena. O local já foi um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, mas, atualmente, está abandonado. A escadaria José Miguel Lisboa de Mendonça que dá acesso à Praça do Mirante pela Avenida Adriano Pimentel, também apresenta problemas. Quem vai à Praça do Mirante constata diversos problemas, como: bancos em péssimo estado de conservação, buracos no piso da Praça, lixo, ripas apodrecidas na estrutura da Praça, entre outros. Parte dos problemas, segundo os usuários, é ocasionado por vândalos e integrantes de gangues.
Sem vigilante, o espaço é depredado e alvo de vandalismo. Além dos problemas de falta de manutenção, populares denunciam a violência no local. No período noturno, de acordo com usuários, a Praça do Mirante se transforma em ponto de encontro de consumidores de drogas e de garotos e garotas de programa. Roubos e assaltos já foram registrados no local.
A violência na Praça, considerada um dos principais pontos turísticos mais visitados da cidade, tem assustado jovens. “Há muita briga aqui. Todo dia tem briga marcada”, enfatizou a estudante Graziele de Sousa.
Uma vendedora que trabalha há vários anos na Praça, conta que os casos de violência são frequentes. Ela lembra que encontrou uma faca escondida no local e se viu obrigada a contratar os serviços de uma empresa para a segurança no espaço. “Eu ainda mostrei para a Polícia a arma branca que encontrei dentro do vaso. Aqui está um pouco melhor porque eu pago uma empresa de segurança, tiro do meu próprio bolso, do pouco que ganho para dividir com a segurança”, disse a vendedora.
A Praça tem vistas para o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas. Há pessoas que ainda aproveitam o espaço para realizar eventos culturais e fazer com que o público não abandone o local, mas dizem que faltam providências. “Um espaço com um rio em frente é propício para vários tipos de eventos. Seria uma boa o governo ter essa iniciativa. A gente faz eventos aqui de vez em quando para chamar o público a prestigiar, mas ultimamente está complicado, devido à falta de manutenção da Praça”, afirmou o aposentado Márcio Santana Batista.
DESCASO: A praça foi construída para revitalizar o espaço histórico da Fortaleza do Tapajós, mas, com tantos problemas, o lugar é pouco visitado. “A gente padece aqui com problema de falta de água. As pessoas querem ir ao banheiro e não têm água para lavar a mão. Elas nem vêm mais. Às vezes, a gente é quem dá água”, afirmou um trabalhador do local. As pessoas que ainda trabalham nas barracas de venda de comida reclamam do pouco movimento e atribuem isso à falta de segurança no local e também de estrutura adequada. “É muita sujeira. Os bancos estão todos rabiscados, o mato toma conta, os canhões que foram colocados recentemente já estão todos pichados. Isso é falta de educação dessas pessoas que não estão nem aí com a coisa pública”, disse Márcio Batista.
GATOS DOENTES: No ano passado nossa reportagem denunciou a grande proliferação de gatos, acometidos por doenças, perambulando pelas ruas de Santarém. Entre os locais com maior concentração dos felinos, estava a Praça do Mirante do Tapajós, que virou caso de saúde pública. Naquela ocasião, quem procurava o espaço em busca de lazer e entretenimento se deparava com gatos debilitados por doenças e maus tratos.
Estudantes de Biologia de uma universidade de Santarém, após analisarem um grupo de gatos na Praça do Mirante, constataram que os animais estavam acometidos por herpesvírus felino. Essa doença, segundo os estudantes, é parecida com o herpes humano e, é a causadora da rinotraqueíte, uma infecção comum do trato respiratório superior dos gatos, o que pode levar o animal a morte. A principal forma de transmissão direta em gatos, é por contato com as secreções dos olhos ou nasais. Os espirros também são uma forma indireta e comum de transmissão. A mãe pode transmitir o vírus aos fetos e, é comum ocorrer aborto nas gestantes doentes. Uma vez adquirida a doença, 80% dos gatos tornam-se portadores do vírus para o resto da vida, mesmo que nunca mais apresente qualquer tipo de sintoma. O vírus pode voltar a se replicar nesses animais em situações de estresse, que pode ser desde uma simples viagem até uma doença debilitante.
Por: Jefferson Miranda
Fonte: RG 15/O Impacto